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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tenho mesmo que festejar?



Sempre fingi gostar das festas de fim de ano, mas a verdade é que acho um saco. O saldo é o seguinte: dois ou três quilos a mais, uma conta enorme no cartão de crédito, mil sorrisos amarelos nas festas de confraternização e aquelas mesmas cinco músicas de natal tocadas à exaustão em elevadores, lojas, rádios, comerciais de TV e etc. Deve haver alguma alternativa para Jingle Bells e Noite Feliz... mas o pior nem é isso. O pior é aquela conta que apresentamos a nós mesmos a cada fim de ano. Vira lá o seu alterego e pergunta, em meio a baforadas de cachimbo na tua cara: - “Então? Cresceste? Se sente hoje mais bem sucedido do que há um ano? Acredita mesmo que a tua presença neste planeta faz alguma diferença?” A cada pergunta, encho o copo de vinho e dou mais uma colherada naquele pavê de mil calorias. Ah, e ainda tem os fogos... vá entender a graça de jogar pólvora pra cima e assustar cães e gatos. Barulheira terrível e a um custo altíssimo. Mas, pra quem gosta de pular onda, jogar flores para Iemanjá, comer caroço de romã e lentilha, fica aqui o meu desejo de Feliz 2011. Peguei um trechinho de Drummond que achei bacana. Divirtam-se!

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pradiante vai ser diferente" Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Desemprego é o menor desde 2002. PiG pergunta: e agora, quem poderá nos defender?

Desemprego no Brasil é o menor desde 2002, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa ficou em 5,7% em novembro deste ano, um recorde, de acordo com levantamento divulgado hoje, dia 17. Para se ter uma ideia, em março de 2002 a taxa de desemprego era de 12,9%.

O que será que o PiG, que Paulo Henrique Amorim tanto cita, vai dizer dessa vez?

Que é um absurdo substituir as máquinas pelos homens? Que é inaceitável a economia crescer mais do que a população? Que isso prejudica o ócio criativo da força de trabalho em repouso?

Só falta.

Sim, porque, depois de Miriam Leitão dizer que doenças serão agravadas e gastos públicos no Sistema Único de Saúde (SUS) vão aumentar porque muitos brasileiros, com maior renda, já podem comer macarrão e biscoito - e consequentemente, vão ficar obesos e diabéticos - além do puro e simples arroz com feijão, não duvido mais de nada.

Menos ainda desde que ouvi Luiz Carlos Prates dizer que os acidentes de carro cresceram porque "hoje, qualquer miserável tem um carro".



Depois, o palhaço é o Tiririca. Que também o é.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Emoções

A seguir, um texto sobre a importância de liberar as emoções. Não sei quem é o autor; reza a lenda que o fragmento é tirado de um quadro de um consultório de um psicólogo qualquer. Mas, achei interessante:

"O resfriado escorre quando o corpo não chora
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair
O diabetes invade quando a solidão dói
O corpo engorda quando a insatisfação aperta
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas
O peito aperta quando o orgulho escraviza
O coração enfarta quando chega a ingratidão
A pressão sobe quando o medo aprisiona
As neuroses paralisam quando a 'criança interna' tiraniza
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade."

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eleições

Em tempos de eleições, é importante nos informarmos sobre os candidatos. Com a internet, é possível, por exemplo, propagar ideias com rapidez instantânea ou recuperar histórias que nossa curta memória virtual deixaria facilmente escapar tamanha a profusão de informação. Acho interessante ouvir todos os lados envolvidos e colocar na balança os argumentos apresentados sobre os concorrentes ao cargo mais importante do país. Para contribuir com esse debate, sugiro a leitura do manifesto abaixo, de professores universitários do estado de São Paulo, sobre a posição deles nesse embate rumo à escolha do novo presidente que assumirá em 2011.


Manifesto em Defesa da Educação Pública

"Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política sistemática de sucateamento da rede pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.

Os salários da rede pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores mais qualificados. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das
reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu
sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Seu atual candidato à presidência não hesita em tentar explicitamente interferir no sistema judiciário e em controlar a produção da informação. Destrata jornalistas que lhe dirigem perguntas embaraçosas, enquanto a TV Cultura demite profissionais que realizaram reportagem sobre pedágios.

Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina a calúnia e a difamação. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor. Como candidato, José Serra já é uma ameaça à liberdade de imprensa e à democracia. Não é difícil imaginar o que faria se fosse eleito."

Ricardo Musse (musse@usp.br) e Vladimir Safatle (vsafatle@yahoo.com), da USP



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Rebeldia

[De rebelde + -ia1.]
Substantivo feminino.
1.Ato de rebelde; rebelião, revolta.
2.Qualidade de rebelde.
3.Fig. Oposição, resistência.
4.Teimosia, obstinação, birra.

Essa era a intenção dele. Ouriçou-se ao menor sinal de que algo saía da normalidade. Rebelde, revoltou-se contra tudo e todos. O sistema vigente não foi capaz de mantê-lo cativo por muito tempo.

Entendo. Difícil é seguir os padrões desencrespados da massa, aqueles em que se faz necessário alinhamento total com seus semelhantes. Tudo, a partir de uma máquina rigorosa – ou “chapa quente” como diriam alguns, na gíria popular – que não deixa impune um ato sequer de ultraje ou licenciosidade.

Aquilo que começou com apenas um elemento, no ímpeto da vicissitude, transformou-se em manifestação coletiva em poucas horas. Ao fim do dia, a apoteose. Expressão máxima da capacidade da singularidade se tornar em agremiação espontânea e permissiva. Derrotismo para o sistema vigente e sua líder enfastiada, após batalha moral.

Dito isso, alguma sugestão para um cabelo rebelde?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tempestade de areia


Foto: Wanderley Pessoa


Brasília ou Arábia Saudita?

"É o prenúncio de 2012", disseram alguns. É porque ainda não tinham visto a participação da dona Weslian Roriz no debate entre candidatos ao governo do DF. Isso sim foi um aviso apocalíptico.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Velho dilema

Quando eu era criança e adolescente, passava minhas férias nas casas dos avós, em São Luís do Maranhão. Na rua onde eles moravam, havia muitos meninos e meninas da minha idade. Resultado: viramos todos muito amigos.

Eu adorava ir pra lá e chegava a passar quase dois meses, nas minhas férias escolares. Passava o dia inteiro na rua, brincando descalça, correndo, pulando “cancão” (amarelinha, em maranhês), subindo nos pés de manga, goiaba e jambo. Voltava, suada, de tardinha para “merendar”. A mesa posta pela vovó tinha guaraná Jesus e biscoitinhos de polvilho. Às vezes, tapioca com manteiga. Daí, voltava pra rua e ia jogar um vôlei improvisado, com rede e tudo. Juntava uma galera vinda de quase todo o bairro, pra gente disputar campeonato.

Não cansada, à noite, depois da janta e do banho frio no quintal, voltava para a porta de casa, onde a molecada se reunia de novo pra jogar baralho ou qualquer outra brincadeira mais tranquila. E ia dormir feliz. A férias passavam assim, dia após dia, semana após semana, regada de diversão – isso sem contar os dias de praia – naquela ilha maravilhosa. Até que chegava a hora de ir embora.

Até aqui, parece que estou escrevendo uma redação da 5ª série, entitulada “Minhas Férias”. É verdade, admito. Mas estou contando isso para contextualizar o que vou dizer agora.

Depois de dois meses de alegria, chegava a hora de dizer “até para o ano” (que é o mesmo que “até ano que vem”) para os meus amigos e minha família. Começava aquele sentimento doloroso que era a saudade. Doía muito mesmo e tenho essa lembrança desde os tempos mais infantis. Chegava a Brasília e passava não menos que uma semana chorando todo dia, de saudade. Um mês e o coraçãozinho ainda apertava quando lembrava de toda aquela gente que me proporcionava tanta alegria. Até que ia passando e passando. A rotina voltava. Mas, no fim do ano, começava tudo de novo!

O que eu quero dizer é que era muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. Se apartar de quem a gente gosta é difícil. Às vezes eu tinha vontade de não ir, só de saber o quanto seria ruim voltar. Até que um dia, pensei: só é ruim depois, porque foi muito bom antes, então, o que vale mais a pena? Eu prefiro passar pela saudade a nunca ter vivido aqueles momentos tão legais.

Depois de adulta, a coisa não mudou. Agora, mais do que eu ir embora, vejo meus amigos indo embora. Cada um pra um lugar, cada um com um motivo diferente, principalmente pelo trabalho. Mudam de cidade, de país. Continuo tendo amigos no Maranhão e tenho alguns que, de Brasília, foram para o Rio de Janeiro, Acre, Estados Unidos, Irlanda... por aí vai. Todos que, um dia, estiveram comigo por um bom tempo e aí foram fazer algo diferente na vida.

A internet facilitou as coisas, é verdade. No tempo dos amigos de São Luís, a gente se correspondia por carta e falava por telefone só de vez em quando, porque a ligação era cara. Hoje, tem MSN, Skype, Facebook, Orkut, Twitter etc. A gente sempre fica em contato. Mas não deixa de ser saudoso ter a pessoa por perto, ali, de verdade.

Por fim, estou falando tudo isso para dizer que estou às voltas com esse sentimento de novo. Minha amiga Clarinha – uma das três blogueiras deste espacinho frutífero aqui – é a “indo embora” da vez. A Indonésia a chama; a ela, ao Pedro e ao bebê João. Mais do que uma colega de trabalho, na vida real, ela virou minha amiga. Daquelas com quem a gente compartilha segredos e detalhes dos acontecimentos. Trabalhar lado-a-lado (mesmo!) por três anos foi o responsável por isso; era com ela que eu passava a maior parte do meu dia, somando oito horas de trabalho, duas de almoço, mais umas quatro de cursinhos à noite eventualmente, idas ao cinema ou à lojinha das empadas da 203 norte.

Isso tudo vai fazer falta, mas não supera a felicidade por vê-la tão bem, com uma família tão agraciada e tendo experiências incríveis. E nem por saber que o blog vai bombar com notícias sobre a Indonésia (assim espero). Por aqui, fico com meu velho dilema: só é ruim agora (a saudade) porque foi muito legal antes. ;)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Desacelerando

Nesse post de volta ao blog, quero falar justamente sobre o que me afastou um pouco dele nos últimos meses. Estou em processo de desaceleração.

Essa rotina agitada do mundo atual me faz ter inveja de quem viveu no século 19. De certa maneira, claro. Acordar com o galo cantando, mas dormir com o pôr-do-sol devia ser bom. No século 21, acorda-se muito cedo também, para enfrentar apenas 25 km e não 30 km de engarrafamento na ida para o trabalho. Mas dorme-se tarde, muito tarde.

Depois de passar mais de 10 horas fora de casa durante o dia, por causa do trabalho, a noite é o único momento para várias outras tarefas. Fazer compras no supermercado lotado. Comprar pão – nada fresquinho – para comer na manhã seguinte (afinal, não quero perder minutinhos preciosos do meu curto sono para ir à padaria com o raiar do sol). Lavar a louça do fim de semana que acumulou. Tem um cursinho para concurso que dizem ser ótimo: soca na parte noturna da agenda. Academia, idem. E o encontro com as amigas? Se der um tempinho, a gente vai. Sem contar que sempre tem um programa “imperdível” na TV tarde da noite.

Aí, a gente dorme sem sonhar, ou sem lembrar que sonhou. Porque o sonho, dizem os especialistas, vêm na fase REM do sono. E essa fase vem no sono profundo. Não sei quanto a vocês, mas eu não consigo alcançar fácil esse estágio com tão poucas horas de cabeça no travesseiro.

No século 19, as pessoas usavam cavalos ou carroças para se locomover. No século 21, nossos possantes rasgam as avenidas da cidade, cortam caminhos a acham atalhos para chegar logo ao destino. Estamos sempre atrasados. O transporte por cavalinhos de outros tempos devia ser bem devagar... Mas a sociedade da época tinha pressa de quê, afinal?

Os homens, de começar e terminar logo seus ofícios? De encontrar os amigos no passeio público?

As mulheres, de cuidar da casa e dos filhos? De delinear bem os cachos de seus cabelos e aprender aquele bordado difícil?

(Ressalva: exclua-se do teor do texto a discussão sobre machismo e feminismo, porque aí é pano para outra manga)

Mas e hoje, temos pressa de quê? E por quê?

Porque estamos em “tempo real” o tempo todo.
Porque temos que ser os primeiros em tudo.
Porque não queremos ser os últimos a saber dos assuntos em voga.
Porque a crise financeira mundial afeta a todos.
Porque ter uma graduação não basta.
Porque precisamos gerenciar dez atividades simultâneas.
Porque, além de tudo, temos que cuidar da nossa espiritualidade, da saúde, dos relacionamentos, dos nossos bichos de estimação (na verdade, seus, já que eu não tenho), praticar boas ações, nos divertir e fazer café, tudo ao mesmo tempo. Ou um seguido do outro; ah, mas tem que estar anotado na agenda, senão, a gente esquece. Esquece até de olhar a agenda.

Chegou a minha hora de pisar no freio.

Quero fazer tudo mais devagar. Comer devagar. Andar devagar. Escrever devagar. Respirar mais fundo. Fazer menos coisas. Passar mais tempo com o meu marido e minhas amigas. Trabalhar só até onde eu consigo e tirar da cabeça que eu sempre consigo fazer um pouco mais. Não quero ser super-heroína, nem mulher-canivete (de múltiplas funções!). Quero ser tranquila. Quero que o tempo volte a passar mais devagar.

Tedioso? Pode ser. Impossível? Talvez, ainda mais nessa profissão ingrata. Mas, garanto que não sou a única que pensa assim. Aliás, ao redor do mundo, várias pessoas estão a fim de desacelerar, como eu. Os índices de Felicidade Interna Bruta (FIB) estão sendo mesmo levados em conta.

Vamos ver se consigo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

OFF

Nunca me rendi a um off, mas aí vai ele... OFF.

No blog, no twitter, no orkut, no facebook... OFF!

Agora, só estarei ON na minha realidade não-virtual.

Mas não é que eu queira, é que eu preciso. Preciso me concentrar nuns projetos e essas redes sociais viciam. A gente entra pra ver "só um pouquinho" e acaba ficando o dia inteiro.

Daqui a dois meses eu volto!

OFF! E até lá =)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

La Cajita Feliz

Teve uma coisa que me fez rir muito esses dias: La Cajita Feliz. Mas não vou falar sobre isso não, porque a Fabiana, do blog Elas & Etc., soube expressar melhor. Lê lá, vai!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

João




Esse post é uma homenagem ao bebê da Clarinha, o João, que nasceu na segunda-feira, dia 14 de junho. Até agora, só vi por foto, mas já deu pra ver que ele é lindo! Por razões óbvias, a Clara escreverá menos neste blog, por enquanto (por enquanto! rs). Mas, para saber mais sobre a maternidade a partir do ponto de vista da nossa amiga, acompanhe o Meu Menino Tigre.

Parabéns, Clarinha!
Bem-vindo, tigrinho!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Eu, pesquisadora



Tem coisas que não têm preço. Há um mês, exatamente, eu estava na Espanha. A parte ruim é que era a trabalho, por apenas quatro dias. O lugar exato era Salamanca, que abriga uma das universidades mais antigas do país (foi criada em 1218) e leva o mesmo nome da cidade.

Salamanca é pequena; tem cerca de 160 mil habitantes. É uma cidade universitária, cheia de repúblicas, como nossa Ouro Preto, em Minas Gerais. Tem uma catedral belíssima, um rio que corta a cidade, uma Plaza Mayor como a de Madrid – guardadas as devidas proporções. Enfim, paisagens europeias como a gente costuma ver por lá. Mas, de tudo, o que me chamou mesmo a atenção foi uma biblioteca.

Nem todo mundo tem acesso à Biblioteca General de la Universidad de Salamanca; apenas pesquisadores cadastrados. Taí uma vantagem de se viajar a serviço, ainda mais quando o trabalho é na área da educação. Minhas companheiras de missão e eu fomos convidadas a conhecer o acervo. “Chato”, pensei. Perto da hora do almoço, meus pensamentos estavam voltados para um certo jamón ibérico, servido como entrada costumeiramente nos restaurantes espanhois.

Na entrada da biblioteca, nos aguardava um rapaz calçado em luvas brancas, funcionário do local, que nos guiaria através das salas, em meio aos livros velhos (que me fazem espirrar, geralmente). Fazia frio, muito frio lá dentro; não pode haver calefação artificial, por causa da conservação do acervo. “Chato”, pensei de novo.

Ao pisar no primeiro corredor do grande edifício – quando o terceiro “chato” começava a brotar na minha mente – dou de cara com uma obra que eu adoro: Don Quixote. Não era uma edição qualquer do texto de Miguel de Cervantes (que, aliás, estudou na Universidade de Salamanca); era uma edição comemorativa do século 18, impressa em papéis mesclados com fios de ouro. A capa era em ouro. As capitulares eram pintadas de ouro. E era ouro puro.

Ainda impressionada com aquela peça rara, fui percorrendo as alas da biblioteca, já esquecida do jamón vespertino. Entre os 140 mil livros pertencentes ao acervo, vi outras raridades. Manuscritos de cânticos do século 11, obras censuradas de Galileu Galilei – o cara que descobriu o princípio da inércia e que, além de físico, era matemático, astrônomo e filósofo. Os textos do Galileu eram os originais, com páginas arrancadas, colagens e rabiscos feitos pelo censor. Naquela época, lá no século 17, a igreja acusava o cientista de defender opiniões contrárias às Escrituras.

E a cartografia? Vi globos terrestres de todo tipo, confeccionados há centenas de anos, desde quando achavam que a terra era plana, bem antes de Ptolomeu vir com a ideia de um globo curvado, com latitudes e longitudes.

Foi então que nos levaram à sala mais secreta de todas: o cofre. Não, nada de milhões de euros. As preciosidades guardadas nesse lugar são muito, muito mais valiosas. Dentro de uma arca de madeira, coberta por barras de ferro e trancada a cinco chaves (de verdade, não é força de expressão), estava um dos primeiros exemplares da Torá, o livro dos judeus, em um rolo manuscrito tão extenso que não deu pra desenrolar nem um décimo dele. Na mesma arca, o que me deixou mais boquiaberta: a mapa usado por Cristóvão Colombo (que também foi estudante de Salamanca) para chegar às Índias e com o qual acabou chegando à América.

Impagável.

Na terra das touradas e do flamenco, me descobri pesquisadora. E uma grande amante da História.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Girls



“I wish I had a father
I wish I had a loving man in my life
Instead I´m just crazy, I´m totally mad
And maybe if a really tried with all of my heart, than I could make a brand new start in love with you…"

Parece deprê, mas é totalmente radiante! Girls é uma banda que eu conheci por causa de uma crítica de jornal. Enchi o saco do meu namorado pra baixar na net, já que eu não achava de jeito nenhum e ele passa hooooras em frente ao computador. Resultado: nós dois gostamos muito!

Eu só conhecia essa música aí do vídeo, Lust for Life (que tem o mesmo nome daquela do Iggy Pop), mas agora o cd todo não para de tocar no meu ipod, quando estou no carro. E passo muito tempo dirigindo. Quem não passa, em Brasília?

Essa é a música mais feliz, apesar da letra. O videoclipe também é muito legal. Eles têm outras um pouco sombrias, melancólicas e até uma ou outra mais ensolarada também. Tudo despretensiosamente uma beleza. A banda é formada só por dois caras: Christopher Owens e Chet JR White. Owens é o compositor e White produz.

O melhor é que virão ao Brasil mês que vem, em junho! Eles vão participar do festival Popload Gig 3, nos dias 10, 11 e 12 de junho, em são Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, respectivamente.

Eu não vou poder ir, porque meu filhote vai nascer nessa época. Ainda bem que é um ótimo motivo pra faltar, ao contrário, seria triste perder.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Feliz ano novo

Que venha o BBB 11? Não, por favor, não!

Não vou ser dissimulada. Gosto, sim, de reality shows. Programas de auditório, então, nem se fale. São ótimas oportunidades para esvaziar a mente, que se abarrota de tantos conhecimentos, aprendizados, interpretações, percepções e resoluções ao longo do dia.

Nem venha me chamar de pseudointelectual; sou intelectual sim. Isso não significa ser o suprassumo da sabedoria e cultura. Não, não. Significa ter dotes de espírito e inteligência. Significa ter gosto predominante pelas coisas do espírito e da inteligência. Eu tenho. Mas, o que é predominante não é total; portanto, também tenho gosto pelo que é irrelevante.

A intelectualidade também carrega consigo a capacidade de repúdio à hipocrisia. Então, vou dizer alto: A-DO-RO reality shows.

Mas, o Big Brother Brasil já não desce mais pela minha garganta. Assim como as novelas. Mesmo as imbecilidades têm que evoluir, concorda? No entanto, parece que é o contrário. Quanto mais superado o formato do programa fica, parece que se torna mais atraente para as pessoas.

E eu me pego indagando: por que deixo de gostar dessas bobagens televisivas, se elas continuam a mesma coisa, com o mesmo estilo que me fez gostar nas primeiras edições?

É porque fico com ciúmes. Ciúmes de shows de televisão que atraem mais as pessoas do que um bom papo com um amigo, do que tomar um iogurte gelado ali na esquina, do que sair pra passear pela cidade, ver gente, ao vivo. Nunca fui do tipo que deixa de fazer algo (no sentido vivencial da coisa mesmo), para ficar assistindo, hipnotizada, a um programa. O que se vê, pode ser visto de novo numa reprise ou no youtube, hoje, mais do que nunca. O que se vive, não. Tampouco gosto de falar sobre um mesmo assunto por muito tempo. Cansa e é chato.

E essa passou a ser minha birra com o BBB e as novelas. Nem é pelo estilo de programa (até porque, quem vê Solitários do SBT, pode falar o quê?), mas pelo poder hipodérmico – aquele do Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick – que eles concentram. Nessa hora, parece mesmo que a massa somos nós e que somos homogêneos.

Todos se prendem, se amarram, se envolvem nas tramas e, no dia seguinte, o papo é só esse. Para onde se olha, se vê o BBB. O Dourado campeão. Não tem como fugir. EU NÃO QUERO SABER! Mas, acabo sabendo; como não ficar sabendo?

Acho que não é preciso mais desejar feliz ano novo para os brasileiros depois do carnaval. O marco, agora, é o BBB.

Feliz ano novo. Temos os próximos nove meses para voltar a viver.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Bolinhas de sabão



Tomei 500 mgs de saudosismo ontem à noite. Tava sentada, pensando. Sabe aquelas coisas absolutamente necessárias e adiáveis? Pois bem...era essa a pauta. Coisinhas que dependem de um estalar de dedos e que ainda assim postergamos cada dia mais. O fato é que estava sentada em frente ao computador e eis que vem a mim aquela entidade brincalhona, o destino. O destino é um sambista. Chapéu panamá, cavanhaque e duas covinhas bem marcadas e diametralmente opostas nas bochechas. Ao menos foi sempre assim que o imaginei. E mascando chicletes, claro. Entre uma bola e outra, o danado do espírito cisma em fazer gracinhas com a cara da gente. Pois dessa vez fui eu a escolhida. Tava distraída, quem mandou? Sei que de repente aquela sensação de flechada, o corpo arrepiado, vontade de correr e dançar, tudo junto. O motivo? Segue no link... quem tiver mais de 25 lembra. Cliquem em Lucy & Linus.


http://www.radio.uol.com.br/#/busca/musica/Linus%20&%20Lucy

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Contadora de histórias (I): O furto

Há dias em que acordo com vontade de ser igual ao Forrest Gump: contar histórias ou sair correndo. Hoje, resolvi contar histórias.

Um dia, minha bolsa foi roubada. Tinha tudo lá dentro; e até mais um pouco. Desde o óbvio e indispensável, como carteira, documentos e chaves, até o supérfluo, como guarda-chuva, iPod, agenda e óculos de sol.

O meliante fugiu bem rápido. Debaixo de chuva, seus pés calçados em chinelos desgastados pisavam – um tanto trôpegos dada a adrenalina do momento – nas poças de água e lama formadas pelo temporal que caía na noite de uma quarta-feira qualquer, em uma quadra qualquer do plano piloto. Dois rapazes prestativos ainda tentaram correr atrás dele. Em vão.

Enquanto isso, eu, cheia de sacolas de compras nas duas mãos (aliás, até hoje tento imaginar como o malandrinho conseguiu arrancar a bolsa de meus ombros e passá-la por minhas mãos grudadas firmemente aos sete ou oito sacos plásticos cheios de enlatados e congelados, um tanto pesados, sem derrubar tudo. Acho que ele era mágico.)... O que eu dizia? “Dizia eu que a aritmética...” Não, não, dizia eu que fiquei ali parada, enquanto os rapazes corriam atrás do pivete (sim, era um menino, um adolescente franzino), ainda com as sacolas nas mãos, um tanto pasma, meio sem entender o que havia ocorrido.

Ainda com essa sensação, pensei no que fazer. “O que as pessoas fazem nesse caso?” Gritei um pouco – não é isso que se faz? – Pega ladrão! Socorro! Coisas do tipo. Ah, sim, não pense que foi efeito retardado; esse pensamento-e-ato se passou no segundo seguinte ao do ocorrido. Não se admire com minha reação; em 27 anos de existência, nunca havia sido roubada. Furtada, aliás, como disse o delegado que fez o “bê ó”. Furtada, na condição de transeunte, para ser mais exata na transcrição das palavras dele.

Tudo o que se passou depois, não vou detalhar tanto. O boletim de ocorrência, registrei. O celular e os cartões, bloqueei. A fechadura de casa, troquei. Os documentos, achei (parece que o furtador não se interessou pela minha carteira de motorista, minhas carteirinhas de estudante e do clube, nem meus cupons promocionais de restaurantes e largou tudo isso no meio do caminho). Enfim, ficou tudo bem.

Mas, me ficou um vaziozinho, uma pontinha de não-sei-quê. Não sabia o que era. O susto já tinha passado. Eu estava intacta. Meus documentos e cartões, protegidos. Ok, pensei na ineficácia do Estado sim, na falta de segurança, no crescimento da violência urbana, na oportunidade de educação que o coitado do garoto talvez não tivesse tido.

Dias depois, entendi o que eu sentia. Era saudade. Das pequenas coisas que faziam parte do meu cotidiano, que estavam naquela bolsa, mais difíceis de serem recuperadas do que meus documentos. E das quais eu gostava. Eram minhas. Bem minhas.

A agenda, com anotações do que teria que fazer nos próximos dias, com contatos e rabiscos, com receitinhas aleatórias e mapa da casa de amigos. A bolsinha de maquiagem, com aquele batom cremoso, de cor marrom, com brilho, que ganhei de presente da minha mãe e nunca vi igual por aqui. O óculos de sol grande e redondo, que tinha uma alça quebrada, colada com super-bonder pelo meu marido, que o fez com todo cuidado e carinho. O guarda-chuva vermelho, que era pequeno, fácil de guardar e me salvou de tanto apuro nos dias de chuva intensa ao sair do cabeleireiro – e me colocou em um tanto de apuro também nos dias de tempestade, já que era frágil e virava do avesso na primeira rajada de vento forte. O iPod, não o iPod em si, mas os 3,9 giga de músicas contidas nele, escolhidas com esmero, na ordem em que eu gostava de escutar.

Aquela caneta sem tampa.

Aquele pente sem dois dentes.

Há coisas que não se recuperam. Se substituem. Que são nossas durante muito tempo, mas no minuto seguinte não são mais. Que parecem fúteis, mas fazem falta. Não pelo poder de usufruto, e sim pelas características únicas que adquirem a partir do momento que passam a fazer parte de você. São suas. Bem suas.

Espero, pelo menos, que o ladrão faça bom proveito das coisas ex-minhas.