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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tempestade de areia


Foto: Wanderley Pessoa


Brasília ou Arábia Saudita?

"É o prenúncio de 2012", disseram alguns. É porque ainda não tinham visto a participação da dona Weslian Roriz no debate entre candidatos ao governo do DF. Isso sim foi um aviso apocalíptico.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Velho dilema

Quando eu era criança e adolescente, passava minhas férias nas casas dos avós, em São Luís do Maranhão. Na rua onde eles moravam, havia muitos meninos e meninas da minha idade. Resultado: viramos todos muito amigos.

Eu adorava ir pra lá e chegava a passar quase dois meses, nas minhas férias escolares. Passava o dia inteiro na rua, brincando descalça, correndo, pulando “cancão” (amarelinha, em maranhês), subindo nos pés de manga, goiaba e jambo. Voltava, suada, de tardinha para “merendar”. A mesa posta pela vovó tinha guaraná Jesus e biscoitinhos de polvilho. Às vezes, tapioca com manteiga. Daí, voltava pra rua e ia jogar um vôlei improvisado, com rede e tudo. Juntava uma galera vinda de quase todo o bairro, pra gente disputar campeonato.

Não cansada, à noite, depois da janta e do banho frio no quintal, voltava para a porta de casa, onde a molecada se reunia de novo pra jogar baralho ou qualquer outra brincadeira mais tranquila. E ia dormir feliz. A férias passavam assim, dia após dia, semana após semana, regada de diversão – isso sem contar os dias de praia – naquela ilha maravilhosa. Até que chegava a hora de ir embora.

Até aqui, parece que estou escrevendo uma redação da 5ª série, entitulada “Minhas Férias”. É verdade, admito. Mas estou contando isso para contextualizar o que vou dizer agora.

Depois de dois meses de alegria, chegava a hora de dizer “até para o ano” (que é o mesmo que “até ano que vem”) para os meus amigos e minha família. Começava aquele sentimento doloroso que era a saudade. Doía muito mesmo e tenho essa lembrança desde os tempos mais infantis. Chegava a Brasília e passava não menos que uma semana chorando todo dia, de saudade. Um mês e o coraçãozinho ainda apertava quando lembrava de toda aquela gente que me proporcionava tanta alegria. Até que ia passando e passando. A rotina voltava. Mas, no fim do ano, começava tudo de novo!

O que eu quero dizer é que era muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. Se apartar de quem a gente gosta é difícil. Às vezes eu tinha vontade de não ir, só de saber o quanto seria ruim voltar. Até que um dia, pensei: só é ruim depois, porque foi muito bom antes, então, o que vale mais a pena? Eu prefiro passar pela saudade a nunca ter vivido aqueles momentos tão legais.

Depois de adulta, a coisa não mudou. Agora, mais do que eu ir embora, vejo meus amigos indo embora. Cada um pra um lugar, cada um com um motivo diferente, principalmente pelo trabalho. Mudam de cidade, de país. Continuo tendo amigos no Maranhão e tenho alguns que, de Brasília, foram para o Rio de Janeiro, Acre, Estados Unidos, Irlanda... por aí vai. Todos que, um dia, estiveram comigo por um bom tempo e aí foram fazer algo diferente na vida.

A internet facilitou as coisas, é verdade. No tempo dos amigos de São Luís, a gente se correspondia por carta e falava por telefone só de vez em quando, porque a ligação era cara. Hoje, tem MSN, Skype, Facebook, Orkut, Twitter etc. A gente sempre fica em contato. Mas não deixa de ser saudoso ter a pessoa por perto, ali, de verdade.

Por fim, estou falando tudo isso para dizer que estou às voltas com esse sentimento de novo. Minha amiga Clarinha – uma das três blogueiras deste espacinho frutífero aqui – é a “indo embora” da vez. A Indonésia a chama; a ela, ao Pedro e ao bebê João. Mais do que uma colega de trabalho, na vida real, ela virou minha amiga. Daquelas com quem a gente compartilha segredos e detalhes dos acontecimentos. Trabalhar lado-a-lado (mesmo!) por três anos foi o responsável por isso; era com ela que eu passava a maior parte do meu dia, somando oito horas de trabalho, duas de almoço, mais umas quatro de cursinhos à noite eventualmente, idas ao cinema ou à lojinha das empadas da 203 norte.

Isso tudo vai fazer falta, mas não supera a felicidade por vê-la tão bem, com uma família tão agraciada e tendo experiências incríveis. E nem por saber que o blog vai bombar com notícias sobre a Indonésia (assim espero). Por aqui, fico com meu velho dilema: só é ruim agora (a saudade) porque foi muito legal antes. ;)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Desacelerando

Nesse post de volta ao blog, quero falar justamente sobre o que me afastou um pouco dele nos últimos meses. Estou em processo de desaceleração.

Essa rotina agitada do mundo atual me faz ter inveja de quem viveu no século 19. De certa maneira, claro. Acordar com o galo cantando, mas dormir com o pôr-do-sol devia ser bom. No século 21, acorda-se muito cedo também, para enfrentar apenas 25 km e não 30 km de engarrafamento na ida para o trabalho. Mas dorme-se tarde, muito tarde.

Depois de passar mais de 10 horas fora de casa durante o dia, por causa do trabalho, a noite é o único momento para várias outras tarefas. Fazer compras no supermercado lotado. Comprar pão – nada fresquinho – para comer na manhã seguinte (afinal, não quero perder minutinhos preciosos do meu curto sono para ir à padaria com o raiar do sol). Lavar a louça do fim de semana que acumulou. Tem um cursinho para concurso que dizem ser ótimo: soca na parte noturna da agenda. Academia, idem. E o encontro com as amigas? Se der um tempinho, a gente vai. Sem contar que sempre tem um programa “imperdível” na TV tarde da noite.

Aí, a gente dorme sem sonhar, ou sem lembrar que sonhou. Porque o sonho, dizem os especialistas, vêm na fase REM do sono. E essa fase vem no sono profundo. Não sei quanto a vocês, mas eu não consigo alcançar fácil esse estágio com tão poucas horas de cabeça no travesseiro.

No século 19, as pessoas usavam cavalos ou carroças para se locomover. No século 21, nossos possantes rasgam as avenidas da cidade, cortam caminhos a acham atalhos para chegar logo ao destino. Estamos sempre atrasados. O transporte por cavalinhos de outros tempos devia ser bem devagar... Mas a sociedade da época tinha pressa de quê, afinal?

Os homens, de começar e terminar logo seus ofícios? De encontrar os amigos no passeio público?

As mulheres, de cuidar da casa e dos filhos? De delinear bem os cachos de seus cabelos e aprender aquele bordado difícil?

(Ressalva: exclua-se do teor do texto a discussão sobre machismo e feminismo, porque aí é pano para outra manga)

Mas e hoje, temos pressa de quê? E por quê?

Porque estamos em “tempo real” o tempo todo.
Porque temos que ser os primeiros em tudo.
Porque não queremos ser os últimos a saber dos assuntos em voga.
Porque a crise financeira mundial afeta a todos.
Porque ter uma graduação não basta.
Porque precisamos gerenciar dez atividades simultâneas.
Porque, além de tudo, temos que cuidar da nossa espiritualidade, da saúde, dos relacionamentos, dos nossos bichos de estimação (na verdade, seus, já que eu não tenho), praticar boas ações, nos divertir e fazer café, tudo ao mesmo tempo. Ou um seguido do outro; ah, mas tem que estar anotado na agenda, senão, a gente esquece. Esquece até de olhar a agenda.

Chegou a minha hora de pisar no freio.

Quero fazer tudo mais devagar. Comer devagar. Andar devagar. Escrever devagar. Respirar mais fundo. Fazer menos coisas. Passar mais tempo com o meu marido e minhas amigas. Trabalhar só até onde eu consigo e tirar da cabeça que eu sempre consigo fazer um pouco mais. Não quero ser super-heroína, nem mulher-canivete (de múltiplas funções!). Quero ser tranquila. Quero que o tempo volte a passar mais devagar.

Tedioso? Pode ser. Impossível? Talvez, ainda mais nessa profissão ingrata. Mas, garanto que não sou a única que pensa assim. Aliás, ao redor do mundo, várias pessoas estão a fim de desacelerar, como eu. Os índices de Felicidade Interna Bruta (FIB) estão sendo mesmo levados em conta.

Vamos ver se consigo.