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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Eu e Marley

Confesso, não sou fã de cachorros. Gosto de observá-los, acariciá-los de vez em quando e só. Acho que é porque os cachorros são muito dependentes de nós, precisam estar junto, perto, rodeando, pulando em cima e encostando seus focinhos úmidos e gelados em nossas peles. Não gosto muito. Dizem que é porque eu nunca tive um bichinho de estimação; e é verdade.

Tampouco sou fã de filmes ou livros sobre cachorros. Lassie, Rin Tin Tin e Benji nunca foram meus favoritos.

Mas um me chamou a atenção: Marley. Talvez por ter exisitido de verdade e não ter sido um super-cão-herói fictício. Na verdade, o Marley é quase um exemplo de anti-herói: estabanado, trapalhão, destruidor, neurótico. Não fosse pelo sentimento que despertou em seus donos - um amor incondicional.

Não foi o filme que me cativou. Uma comédia comum com atores medianos - Owen Wilson e Jennifer Aniston - não conseguiu expressar a grandeza da experiência de John Grogan e sua família ao conviver com o labrador amarelo inconveniente, o cão da liquidação. Grogan, o jornalista, fez bem ao explicitar sua história em um livro. Rica em detalhes, a obra Marley & Eu é envolvente até para quem não gosta tanto dos cãezinhos.

Passeios na praia, sessões de adestramento, dias de chuva e trovão são situações comuns para qualquer bichinho; não para Marley. Ou para ele sim, mas não para os que estavam ao redor. Já me disseram "chorei demais ao ler o livro" ou "é triste" ou "é emocionante". Mas eu nunca ri tanto com uma história sobre um animal de estimação. John Grogan, deve ter sido difícil, hein.

Vendo aquela cara amarela, cabeça ligeiramente inclinada e olhar de quem diz "o que tá acontecendo?" do Marley na capa do livro, me peguei pensando sobre os bichinhos que as pessoas criam (excluindo o bicho de pé). Talvez, lá no fundo, bem no fundo, começo a entender porque se apegam tanto ao estimados cachorros, gatos, papagaios e iguanas.

- Letícia, agora você topa ter um bichinho?
- Eu? Eu não.

Bibliografia: GROGAN, John. Marley e Eu: A Vida e o Amor ao Lado do Pior Cão do Mundo. Editora Prestígio, 2006.

Página do filme, com trailer e sinopse.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A vida parou ou foi a bicicleta?


O belemense das palafitas anda de bicicleta. Guamá, Jurunas, Terra Firme: a periferia carrega tudo de bicicleta. A namorada vai na garupa, os sacos de farinha d’água, o gás pro almoço e pra janta, açaí da ilha pra comer com peixe no café da manhã. A cerpa de qualquer hora e a sinuca no boteco da esquina chegam mais rápido de bicicleta.

Ninguém sabe se ela leva o ciclista ou se o ciclista tem vida própria. Ela pára no meio da rua sem calçadas, sem esgoto, cheia de água parada. Ela não se incomoda com o lixo amontoado, liga o mute pras buzinas dos carros de outras bandas, desfila acompanhada. Ela leva o menino barrigudinho e o cachorro magro pra brincar no campo de futebol imaginado. Ela carrega a mãe pro ponto de ônibus alagado e a menina pra namorar detrás da casa abandonada. Ela não é vaidosa, anda enferrujada, descascada, sem marca e cheia de marcas. De bicicleta, a vida no bairro-cheiro-de-chorume passa e só a gente pública de Belém não quer ver.