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domingo, 22 de abril de 2012

Cusparada de candanga

Tão poucos somos, os teus.
Uns poucos filhos, uns poucos poetas, uns poucos a cantar-te a generosidade, grande Brasília.
E tu, tão nobre.
Difamada por aqueles que passam e não são.
Tu és.
Tu és espaço.
Tu és cenário, perene.
Querida, tão difamada...
Crucificada apesar de aberta, como Cristo.
De mãos estendidas, sempre a cobrir de luxo os que te cospem na face.
Tão jovem, talvez a mais jovem dentre as grandes.
E tão cobrada, coitada, a caçula das capitais.
Como é grande a tua luta.
E como te levanta, sempre.
Tinge os dias de aquarela e segue.
Que recebes, querida?
Fecha tuas portas.
Oferece teu céu aos que te amam.
Mas não. Segues teu trajeto, a despeito da dor dos seus.
Hoje é teu aniversário. Que receberás?
Umas cusparadas, por certo. Outras ignonímias tantas.
Hoje é teu aniversário. Que receberás?
Uma festa, uns fogos, uns cantores – todos ávidos de dinheiro e carentes de amor a ti.
Terra minha, pudesse te abraçaria.
Por um minuto, te envolveria, Brasília, nos braços e sussurraria meu amor.
Hoje é teu aniversário, mãe querida.
Um brinde a quem me deu a vida!

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